Determinação, agressividade e um pressing alto demolidor, a explorar uma incapacidade de transição ofensiva do Porto, foram a chave de uma vitória importante, histórica e motivante.
Importante porque colocou o Benfica em boa posição para chegar à final da Taça de Portugal.
Histórica porque é a 1ª Vitória de Jesus no Porto e motivante porque dá ao Benfica “forças” para ainda acreditar no campeonato.
Manifestamente existiu uma inversão na atitude entre estas duas equipas, comparativamente ao seu último encontro. Um Benfica agressivo e determinado, quase que diria a “jogar à porto”, conjugando com uma pressão alta a retirar o centro de jogo da zona de criação do Porto.
Factor 1 – Posicionamento de Peixoto a jogar mais próximo de Javi e a travar a zona de construção de belluschi. Equilibrou muito bem entre linhas.
Factor 2 – Gaitan a equilibrar o meio campo e a equipa (Aimar não daria tanto rendimento na pressão) e Saviola ligeiramente mais baixo no seu posicionamento.
Factor 3 – Para mim, muito importante. Uma pressão alta com a defesa a começar em Cardozo (nunca o vi tão agressivo e a correr tanto). Ou seja a equipa defendeu sem bola pelos seus atacantes, não deixando os centrais a sair a jogar, apresentando um bloco consistente.
Factor 4 – Uma defesa à zona que nunca permitiu uma mais valia do Porto que é o 1x1 de Hulk. Sempre que passou pelo primeiro tinha lá outro jogador do Benfica.
Um Benfica equilibrado. Alto a pressionar, mas em bloco “baixo” suficiente para não permitir espaço nas costas aos ”aceleras” do Porto. Luisão a “cortar” simples de primeira e a retirar a bola da área de finalização do Porto, ou seja da sua baliza.
Aos 6 minutos o Benfica começou a construir a vitória. Recuperação de bola ainda no meio campo defensivo do Porto com Fábio Coentrão a entregar a bola a Gaitan que estava a trabalhar entre linhas do Porto e que devolve de primeira. Fábio Coentrão aproveitou uma manifesta falta de comunicação entre Maicon e Helton e, mais rápido que os adversários, esticou-se o suficiente para colocar a bola no fundo da baliza portista.
A ganhar no Dragão, o Benfica ganhou confiança e, continuou numa pressão intensa sobre o adversário, o que mantinha a bola longe da baliza de Júlio César.
A melhora ocasião do Porto surge de um lance individual de Silvestre Varela, que não foi aproveitado por Hulk e James. Apesar de uma melhoria do Porto, foi o Benfica que chegou ao 2 a 0. Perda de Bola na Transição ofensiva de Fernando, que sai a jogar com um passe na vertical e possibilita a Javi Garcia o segundo golo da noite. O médio do Benfica aproveitou a bola solta de Fernando em frente da baliza portista e rematou a mais de 90 km , enganando Helton.
Um factor importantíssimo no futebol actual são as transições. E na transição ofensiva, no primeiro passe o mais importante é não perder a bola, especialmente junto à nossa área. Isto porque normalmente o adversário ainda está concentrado nesta zona e no momento em que a equipa ganha a bola está a abrir linhas de passe mas ainda não está organizada o que leva ao adversário em caso de recuperação aproveitar, tal como se verificou, neste segundo golo do Benfica.
O Porto nunca conseguiu reagir ao problema causado pelo Benfica. O Porto deveria ter mudado a estratégia e a jogar segundo o chamado anti –pressing, que o obrigava a jogar directo, para a sua zona de criação (meio campo defensivo do Benfica) e a partir daí criar os seus desequilíbrios naturais, obrigando o Benfica a jogar no seu último terço do terreno.
Nota 1 – Num jogo complicado, o árbitro apesar de alguns erros não foi contestado - positivo.
Nota 2 – Walter não jogou, na minha opinião porque denotou nos jogos anteriores uma grande dificuldade em jogar em apoio, demonstrando ser um avançado de “movimentos para a frente”. E falcão não estava em condições, deixando o Porto sem soluções ofensivas.
Nota 3- Não se sentiu a falta de David Luiz essencialmente porque se jogou “baixo” o suficiente para disfarçar as limitações da dupla de centrais do Benfica e pela grande interpretação por parte da linha defensiva do sistema de defesa à zona, estando esta sempre em superioridade numérica em relação ao porto.
Nota Final – Mesmo a jogar com 10, a melhor ocasião foi do Benfica.