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terça-feira, 19 de abril de 2011

ATLETAS QUE SÃO ALUNOS OU ALUNOS QUE SÃO ATLETAS?


No passado fim-de-semana, foram várias as equipas com dificuldade em recrutar (convocar) jogadores. Isto porque, estando num período de férias académicas os “miúdos” foram com as suas famílias passear, ou talvez aproveitar o pouco tempo que têm juntos para estar em família.  
Seja qual for a razão, seria positivo que a AFL revisse os calendários de jogos, nas alturas das férias da escola. Os Clubes têm dificuldade em reunir os atletas e em algumas situações a verdade desportiva pode ser posta em causa.
No meu entender os atletas são em primeiro lugar alunos, que dependem das famílias…

segunda-feira, 18 de abril de 2011

90 minutos...2 JOGOS...


Foram 37 minutos de qualidade, muito devido à entrega dos jogadores e à sua qualidade técnica.
Inicialmente o Futebol Benfica entrou mais forte, a pressionar e a jogar perto da baliza do Linda-a-Velha.
Aos 7 minutos Vata é expulso. Carlos Magalhães de forma inteligente, passa para 4:3:2, com Figo e Fábio na frente com bastante mobilidade, retirando a referência a Alex (central do Fut. Benfica).


Este pormenor torna-se estrategicamente importante, visto vir baralhar um pouco as referências defensivas do Fut. Benfica. Por outro lado, com menos um jogador a equipa tornou-se mais solidária, os laterais promoviam a largura do jogo e apoiaram o ataque com frequência o que equilibrou o do jogo. O jogo estava aberto e as oportunidades iam surgindo nas duas balizas.
O Linda-a-velha a jogar rápido, um dois toque e a solicitar os seus avançados. Médios lutadores e com boa capacidade técnica e Figo numa tarde em bom plano, a fugir da “zona” do Alex, criando vários desequilíbrios na defensiva contraria.
Gostei dos Jogadores do Futebol Benfica. Experientes e com valor. Especialmente Careca. Têm realmente potencial para subir de divisão. Viveram um pouco das bolas paradas, tanto por Careca como por Vital mas o seu mérito teve nas Transições Ofensivas, a explorar muito bem as costas da defensiva contrária, muito a conta de Adilson, que é realmente um jogador muito forte no contra-ataque.  

 
O árbitro deu por terminado o jogo aos 37 minutos… e eu dei um saltinho até Oeiras.

OEIRAS 2 – MALVEIRA 1

Cheguei na segunda parte que coincidiu com a entrada de Diogo Ribeiro no jogo. E só por isso já valeu a pena lá ter ido.


Ainda deu para perceber que o Oeiras apresentou-se em 4:4:2 e o Malveira em 4:3:3.
Jogo aberto com a bola a rondar as duas balizas. Oeiras mais esclarecido mas a Malveira a sair rápidos nas transições e em 3, 4 toques a chegar à baliza adversária. Animicamente em baixo, a verdade é que a equipa da Malveira nunca desistiu do jogo. Mesmo a perder dois a zero, lutou até ao fim. O segundo golo foi apontado por Moisés numa jogada confusa com claras culpas para a defensiva do Malveira. 


Apesar do Oeiras dispor de várias oportunidades flagrantes de marcar, o Malveira na parte final poderiam ter chegado ao empate, isto depois do excelente golo de Diogo Ribeiro, de livre a colocar a bola no ângulo esquerdo do guarda-redes, sem hipótese de defesa. Um grande golo que valeu a ida a Oeiras.


O mesmo Diogo poderia ter marcado minutos depois, mas a bola foi ao poste e caprichosamente foi ter às mãos do Guarda- Redes.
Destaque para Márcio, 21 anos, um jovem a seguir que até à sua saída, por lesão, estava a ser o melhor em campo.



quarta-feira, 13 de abril de 2011

GRANDES JOGOS NA DIVISÃO DE HONRA

Esta é uma semana importante para o campeonato. Domingo joga-se em vários campos, tanto  para a subida, como para a manutenção.

Boa sorte para todos...

Visitado
Visitante
Loures - Encarnacense
Algés - At. Cacém
Assoc. Charneca - Pêro Pinheiro
Montelavarenses - Ericeirense
Linda-a-Velha - Fut. Benfica
Alta de Lisboa - U. Tires
Sp. Lourel - Lourinhanense
Vialonga - Ponterrolense

segunda-feira, 11 de abril de 2011

TIRES 1 -- LINDA-A-VELHA 0

 


 



 








Equipa do TIRES
André Santos
Pedro Conceição  Rigueiro   Tomás Jorge  Hélder

J.P.       Belo

Luís Mendes
(Nildo)
André Lopes            Nelson             Guti
                                                    (Erico)



Equipa do LINDA-A-VELHA

Coly

Fuinha       Pedro Ribeiro      Duque     Vata
                                                      (Morais)

Café
(André Figueiredo)
João Lopes        João Magalhães
                           (Luís Santos)

           Figo                   Campos              António?
                  (Fábio Santos)         (Fábio) 


 
Na sua organização ofensiva, o Tires apresentou-se num 4:3:3, com o sector médio num “falso” 2:1. O Linda-a-Velha apresentou-se também em 4:3:3 com o sector médio em 1:2. Ambas as equipas saíram preferencialmente em contra ataque, com lançamentos directos nas costas da defensiva contrária sendo mais notório no jogo do Tires. Maior posse de bola do Linda-a-Velha mas não traduzida em finalizações ou remates à baliza. Aliás a 1º parte, não existiu nenhum remate à baliza, tendo o jogo sido influenciado e muito pelo vento que prejudicou o jogo. Deste modo, ambas as equipas tentaram explorar os momentos de bola parada para criar desequilíbrios. Existiram bastantes acções individuais, com pouca qualidade nem resoluções praticas.
Na sua organização defensiva, O Tires apresentou 4 linhas defensivas (4:2:1:3). Os extremos raramente acompanharam o movimento dos laterais contrários. Os 3 jogadores da frente procuraram rupturas constantes a tentar explorar as costas da defesa contrária. O Linda-a-Velha (4:1:4:1), sempre que podia tentava criar desequilíbrios pelas alas, que depois em combinações tentavam “furar” a defensiva do Tires. Neste capítulo destaque para João Magalhães que pautou o ritmo e tentou dinamizar o ataque da sua equipa.
Nenhuma das equipas fez grandes concentrações sobre o corredor da bola e as suas basculações não eram acentuadas, dando espaço para jogar. Ambas as equipas não procuraram recuperar a bola. As recuperações deram-se por perda de bola da equipa adversária. 
Nas transições ofensivas, foi visível a preocupação de ambas as equipas de sair em profundidade, principalmente através de lançamentos longos. A equipa do Linda-a-Velha apresentou uma equipa com um futebol mais apoiado.
As transições defensivas não foram rápidas e visavam essencialmente a recuperação defensiva.

Na primeira parte o jogo foi lento, sem intensidade, com muitas pausas e com o vento a prejudicar claramente o desenrolar do jogo. Foi preciso esperar quase meia hora para assistir a uma combinação do ataque do Linda-a-Velha a criar desequilíbrios e a possibilitar a Campos um remate perigoso por cima do poste.
Apenas de bola parada se foi assistindo ao aproximar da bola à baliza.

Na segunda parte, tacticamente, não existiram alterações e quando se esperava uma reacção do Tires que jogava a favor do vento, foi o Linda-a-Velha que assentou o jogo e criou desequilíbrios. Para isso contribuiu a entrada de Luís Santos que veio trazer maior apoio na fase ofensiva e agressividade ao meio campo.
As suas combinações centrais no último terço do campo revelam automatismos e os seus jogadores que têm uma boa qualidade técnica aproveitaram os espaços da defesa do Tires para criar situações de finalização, faltando apenas o golo. O Tires tentava sair em contra ataque mas não de uma forma muito clara. Belo fez um jogo bastante positivo nas disputas defensivas, demonstrando uma grande determinação e capacidade de choque invulgar para um jogador que o ano passado era júnior e tem uma estatura baixa, mas que em campo é um gigante. 


Na fase final os momentos do jogo. Numa jogada pelo lado direito o Linda-a-Velha pode chegar ao golo com Fábio Santos a finalizar dentro da grande área e com André Santos a realizar uma grande defesa.
Praticamente depois, num lançamento longo, Erico entra na área isolado e é carregado pelas costas. Grande penalidade que dá o 1-0.
Praticamente a seguir, grande penalidade para o Linda-a-Velha por falta de Belo dentro da grande área. André Santos defende o remate de João Magalhães e o jogo praticamente terminou, pois as “emoções” vieram ao de cima.

Vitória importante do Tires que acaba por penalizar o Linda-a-Velha que não merecia a derrota.

Destaque natural para André Santos que é no meu entender o melhor em campo. Destaque também para Belo que fez mais um excelente jogo e é uma das revelações da Honra e para a determinação de Rigueiro que fazem a diferença nestes jogos. André Lopes, também se destacou, especialmente na ocupação espacial e na organização ofensiva do Tires.
No Linda-a-Velha gostei de João Magalhães. 

Tem uma capacidade técnico-táctica que o destaca dos outros. Luís Santos entrou muito bem e foi importante na recuperação de bola, sendo que a sua equipa melhorou muito após a sua entrada. A frente de ataque do Linda-a-Velha tem qualidade, mesmo os que entraram no decorrer do jogo, faltando apenas a finalização. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

PERIODIZAÇÃO TÁCTICA VISTA POR OUTRO...


Apesar de já ter falado sobre isto neste Blogue, nos artigos “PREPARAÇÃO FÍSICA. O QUE É ISSO?” e no artigo “Um pouco de história...”, deixo-vos aqui um texto de Sérgio Ferreira, sobre periodização táctica. 

O jogo de futebol é uma actividade colectiva que deve ser desenvolvida e modelada ao longo do processo para que se possa tornar num «Jogar». A singularidade específica da equipa e dos seus jogadores faz com que o treinador seja uma figura determinante no seu papel catalisador do processo, dando-lhe um Sentido e portanto, uma Especificidade. Aquilo que se faz deve ser para criar uma dinâmica interactiva entre os jogadores ou seja, no desenvolvimento de uma lógica (Colectiva) de funcionamento. Esta lógica é concebida e operacionalizada pelo treinador através do modelo de jogo.

O modelo de jogo é a conjectura de jogo que o treinador tem para a equipa e vai concretizá-la ao longo do processo de treino e da competição. Deste modo, o modelo é a lógica que se pratica com os jogadores para desenvolver o Jogar da equipa. Sendo assim, o modelo é a conjectura que se desenvolve continuamente na prática tendo em conta o que se idealiza, o que se pretende atingir.
A operacionalização deste modelo não é um processo simples. Não é um processo fácil. Carece de um entendimento lógico que se orienta por vários princípios metodológicos que tornam possível a arte de harmonizar o jogo dos diferentes jogadores, para se manifestar numa cultura de acção. Contudo, a maior complexidade reside na interacção sistemática de todos. O que agrava a dificuldade, fazendo com que exija uma envolvência construtiva dos intervenientes, sobretudo do seu autor: o treinador!

A premissa da Periodização Táctica assenta no princípio da Especificidade que se define na necessidade de desenvolver ao longo do processo um Jogar através dos princípios de jogo da equipa. Assim, a Especificidade contextualiza as intenções práticas dos jogadores e do treinador no projecto colectivo, conferindo-lhe um Sentido concreto e orientado para o jogar. A singularidade de cada processo desenvolve-se numa cultura de jogo que se manifesta de forma regular e sistemática através dos princípios de interacção dos jogadores, ligando-os através de um entendimento e uma prática comum. Desta forma trabalha-se o Jogar em todos os momentos do processo. Se isto é possível, porquê perder tempo com objectivos, treinos e intenções abstractas que insultam a capacidade de aprendizagem do jogador? Assim, há a necessidade de se ensinar aquilo que se vai praticar: o jogar, através da interacção sistemática dos jogadores que com o passar do tempo se começam a entrosar espontaneamente. Contudo, isto apenas é possível quando se joga, joga e joga…

O ensino do jogo é simples mas o desenvolvimento do Jogar é complexo porque é preciso saber o que se quer ensinar. O jogo resulta do modo como os jogadores se vão conhecendo e o treino deve reconhecer isso. A partir deste aspecto, o treinador tem de definir o modo como a equipa vai jogar e posteriormente criar situações de treino nas quais isso acontece. O desenvolvimento do Jogar de acordo com esta lógica exige que o treino seja sempre jogo. Mas o jogo não pode ser sempre o mesmo jogo ou seja, o treino tem de ser jogo para que se crie um Jogar e para acelerar esse processo o treinador tem de desenvolver o princípio das Propensões. O jogo tem de ser propício ao desenvolvimento do Jogar através dos objectivos que o treinador entende como importantes. Então, se pretendemos jogar porque não treinar para jogar? Com certeza que é mais complexo mas é mais objectivo do que todos os treinos em que se falam de força, velocidade e do espírito de grupo pois é o jogo. Contudo, o problema reside no conhecer o jogo pois fala-se do jogo como se fosse algo distante, abstracto e resultante de um conjunto de esforços sem sentido. Assim, o Jogar deve ser o motivo do processo através da Especificidade Propensa para a qualidade do jogar com situações de treino e entendimento comum na apreensão construtiva dos jogadores e treinadores no processo.

O desenvolvimento do jogar em todos os momentos do processo realiza-se com a operacionalização dos princípios do jogar ou seja, a lógica subjacente à dinâmica colectiva da equipa. O valor que caracteriza o modo como a equipa joga nos vários momentos de jogo. Contudo, para se desenvolver estes princípios colectivos não podemos fazê-lo na mesma dimensão todos os dias porque provoca um desgaste que impede o crescimento e aquisição da equipa e jogadores. Assim, existe a necessidade de cumprir com o princípio da Alternância Horizontal que refere a necessidade de gerir o desenvolvimento do Jogar nos vários dias do processo para permitir uma relação saudável do binómio esforço-recuperação. Para isso, a Alternância Horizontal Especifica em cada dia da semana realiza-se com a alternância no padrão de esforço em cada dia através das várias dimensões ou escalas do jogar. Para desenvolver a dinâmica colectiva da equipa o treinador tem de incidir nas várias partes do jogar, desde as dinâmicas intersectoriais, das grupais, das sectoriais e mesmo individuais. Através da Especificidade, as incidências individuais são colectivas porque estão contextualizadas no projecto colectivo. A sua qualidade assenta na capacidade de concretização dos jogadores para que o processo seja aquisitivo e construtivo desse modelo. Assim, se os jogadores fizerem o mesmo jogo diariamente, há um maior desgaste das mesmas estruturas e portanto, há um decréscimo no desempenho dos jogadores. Deste modo, é fundamental que os jogadores tenham capacidade de desenvolver o Jogar em todos os momentos do processo e para isso é preciso descansar quando há desgaste. Só assim é possível que os jogadores tenham capacidade de superação e de ajustamento e assim intervir no jogo. Logo, o desenvolvimento do Jogar permite que os jogadores, equipa e treinador sejam objectivos e concretos, havendo a aquisição específica daquilo que define o Jogar.

O desenvolvimento do processo na Periodização Táctica realiza-se através dos princípios de jogo, com os quais o treinador modela as relações entre os jogadores. O que se manifesta num padrão comportamental que traduz o valor desse mesmo princípio na sua concretização. A Especificidade do processo faz com que o Jogar seja continuamente desenvolvido, o que promove uma adaptabilidade dos jogadores e equipa. O modo como se joga, como se interage nos vários momentos de jogo, gera uma adaptabilidade resultante das intenções e portanto, dos valores que orientam o processo.

Assim, e apesar do jogo ser aparentemente um conjunto de movimentos, reconhecemos que a manifestação do comportamento é resultante de uma intenção, de um entendimento, de uma cultura, de hábitos e de valores que individualmente vão sendo partilhados nas relações que estabelecem no modo como resolvem as dificuldades do jogo, ou seja, como jogam. Então, para que se corre continuamente, para que se desenvolvem comportamentos ou aparentes capacidades quando não têm valor sem um contexto? A capacidade de ajustamento dos jogadores apenas é possível enquanto princípio através de situações contextualizadas por uma intenção (de maior ou menor escala) porque só assim se pode conhecer ou apurar o critério. O critério é a capacidade fundamental para se ajustar às circunstâncias de acordo com uma lógica colectiva ou seja, é o que constitui a aquisição do princípio de interacção. Deste modo, de que servem os treinos, exercícios sem uma orientação ou intencionalidade? As adaptações são vazias enquanto que a adaptabilidade assenta na capacidade de escolha em função do critério, que o faz ir para além do comportamento abstracto e vazio.