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domingo, 3 de julho de 2011

A VIDA É DOS ESPERTOS...

Hoje na revista Sábado vi um artigo que achei bastante interessante. Ando a preparar um artigo sobre treinadores e uma das partes "bate" nas questões dos conhecimentos, dos amigos e das influências. Sem ser a história de um treinador, mas sim de um jogador, vejam este exemplo.

A história está a dar que falar no Brasil. Carlos Henrique Raposo, conhecido como Kaiser, teve uma carreira de 20 anos como jogador de futebol e nem um jogo completo por ano realizou. Passou pelos Estados Unids, França e México, tendo andado em alguns dos mais importantes clubes brasileiros (Botafogo, Flamengo, Vasco, Fluminense, América, Bangu, Palmeiras). Era descrito nos jornais como “goleador” ou “artilheiro”, mas ninguém se lembra de um golo e poucos foram os privilegiados a vê-lo jogar, uma vez que segundo o próprio, jogos completos terá feito uns “20, 30″, disse Kaiser ao Globo Esporte.
Era um inimigo da bola, bom na parte física. No treino, combinava com um colega para lhe acertar, porque queria ir para o departamento médico”, recorda Renato Gaúcho, um dos amigos de verdade do futebolista de faz-de-conta.
É uma óptima pessoa, um ser humano extraordinário. Mas não jogava nem cartas. O problema dele era a bola. Nunca o vi jogar em lugar algum. Pinóquio perdia. Pior do que cara de pau, esse rapaz é o maior 171 do futebol brasileiro. Conta história, mas às 16h da tarde, num domingo, no Maracanã, nunca jogou. Tenho certeza”, corrobora Ricardo Rocha, outro dos amigos de Kaiser.
Certo é que na passagem pelo Bangu, as lesões já não enganavam ninguém. Um dia, sentado no banco, foi chamado a entrar em campo. “Comecei a aquecer e vi os adeptos a insultar a equipa. Avancei a rede e fui brigar com os adeptos. Fui expulso antes de entrar em campo” afirmou. Entre alguns amigos, é hoje conhecido como o Forrest Gump do futebol brasileiro. Hoje com 48 anos, Kaiser vive actualmente no Flamengo, no Rio de Janeiro e resolver contar toda a sua história:
“Eu assinava o contrato de risco, mais curto, de normalmente três meses. Mas recebia as luvas do contrato e ficava lá este período. Eu mandava alguém levantar a bola pra mim e errava a bola. Aí sentia o posterior da coxa, ficava 20 dias no departamento médico. Não tinha ressonância (magnética) na época. E quando a coisa ficava pesada para o meu lado, tinha um dentista amigo meu que dava um atestado de que era foco dentário. E assim ia levando. Não me arrependo de nada. Os clubes já enganaram tantos os jogadores, alguém tinha que ser o vingador dos caras. Na época a gente ficava concentrado em hotel. Eu chegava três dias antes, levava dez mulheres e alugava apartamentos dois andares abaixo do que o time ia ficar. De noite ninguém fugia de concentração, a única coisa que a gente fazia era descer escada. Tanto que tem treinador hoje que bota segurança no andar. Mulher era a coisa mais fácil, podia ser em espanhol, inglês, francês. Porque jogador já tem esse assédio, eu não me considero um cara feio. Se fui clone um dia de alguém na vida foi do Renato Gaúcho. A gente se conheceu em 83, ele jogava no Grêmio e vinha muito pro Rio. Essa fama que ele tem com as mulheres perto de mim não é nada. A gente saía muito, eu, ele e o Gaúcho.Eu tenho facilidade em angariar amizades, tanto que muitos da imprensa da minha época gostam de mim, porque nunca tratei ninguém mal. Jogo completo se tiver uns 20, 30, tem muito. Todo jogo eu dava ‘migué’. Todo jogo eu saía machucado, até treino, se eu pudesse, eu saía machucado. Pelas oportunidades, pelos times que passei, se eu me dedicasse mais, eu teria ido mais longe na minha carreira. De certa forma, me arrependo de não ter levado as coisas mais a sério. Se teve alguém que eu prejudiquei a vida toda foi a mim mesmo” afirmou. Kaiser encerrou a carreira aos 39 anos, com as cores dos franceses do Ajaccio …

Apesar de ter visto na Revista Sábado, copiei o artigo daqui:



segunda-feira, 13 de junho de 2011

TREINOS DE CAPTAÇÃO



Os seniores de futebol do Dramático de Cascais vão realizar treinos de captação nos seguintes dias: 15, 17, 22, 24 e 29 de Junho a partir das 21h00. Os interessados devem comparecer no Campo da Guia com o equipamento adequado à prática da modalidade.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

REGRESSO AO TRABALHO




Aceitei hoje treinar o Grupo Dramático e Sportivo de Cascais.

Fiquei bastante contente com o convite, as excelente condições de trabalho e com o projecto.

Dia 15 de Junho inicia-se o trabalho com observações de jogadores.

O treino inicia-se às 21h.

É o recomeçar…

quarta-feira, 1 de junho de 2011

PERGUNTAS E RESPOSTAS.


O meu amigo Mister (Professor) Pedro Abranja (excelente Pessoa e Profissional) publicou este comentário ao qual gostaria de dar destaque pela sua pertinência.


“O Artigo está muito bom. Parabéns José António. Mas se me permites, tenho algumas questões: Se o Carlos Martins seria a melhor opção para acompanhar o Lateral com bola (no caso do Daniel Alves, penso que seria complicado; Na última fase de construção do Barça não seria mais vantajoso concentrar os jogadores na zona defensiva do meio-campo do Benfica, fechando dentro, na tentativa de impossibilitar o último passe, ao invés de encurtar espaços entre laterais e centrais?
Quanto ao desafio da construção de uma estratégia ofensiva é aliciante mas deverá ser ponderada.
Mais uma vez parabéns pelo excelente artigo.
Abraço,
Pedro Abranja”

Caro Pedro, claro está que a escolha do Carlos na esquerda, surge mais pela falta de soluções. O Saviola está mais sobre o corredor do Daniel Alves para iniciar ele a pressão. Pelas suas características achei que o Gaitán teria de jogar no meio e que para ter um meio campo mais “musculado e agressivo” o Carlos seria indicado. Na zona intermédia para pressionar com o Saviola e no último terço para defender em largura. Lá está, que se aproveita também as bolas paradas que é um ponto forte. Do outro corredor coloco o Salvio para explorar a velocidade, até porque acho que um dos pontos fracos do Barça é a sua lateral esquerda (o golo do Manchester passa pelo lado esquerdo do Barcelona).
O “encurtar espaços entre laterais e centrais”, no meu entender só é possível se a linha que está à frente da defesa jogar mais em largura. Parece-me que quando as equipas fecham demasiado dentro o Daniel Alves aparece em Largura e embalado normalmente cria muitos desequilíbrios e as equipas costumam sofrer golos.
Aceito naturalmente a tua sugestão, mas lanço também uma questão. E a linha do meio campo? Defende dentro também ou mais em largura. Na minha opinião se a defesa joga mais aberta, o meio campo tem de jogar mais fechado. Aguardo comentários e continuo à espera de ajuda para os princípios ofensivos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Artigo de Opinião de Manuel Sérgio – “O Doutor José Mourinho e os Licenciados em Desporto” – perspectiva de um ex-aluno.

Em tempos recentes, no jornal a bola, o Professor Doutor Manuel Sérgio, voltou a dar uma lição de futebol que só está ao alcance de alguns sábios como ele. Não admira que José Mourinho afirme que ele é mestre e que faça referência às suas aulas de Filosofia como o local que modificou a sua forma de pensar. Como ex-aluno do caro amigo Professor, devo reafirmar o que Mourinho já tornou público.
O artigo é tão rico que poderia facilmente transformar-se num livro sobre futebol conjugando o paradigma actual. Convém pois perceber o que Manuel Sérgio tentou ensinar. Sou apenas um ex-aluno, a tentar estudar, aprender e evoluir, tal como sempre me ensinou. Porque o saber não ocupa espaço e porque quem não estuda pára no tempo e é ultrapassado.
No Futebol actual é normal um ex-jogador passar a treinador deixando pouco espaço aos Licenciados para se afirmarem. Não defendo uma posição extremista de que os Licenciados em Desporto é que devem estar no Futebol. Sou sim, defensor de que não se cometa os mesmos erros e, que não se copie para o futebol, metodologias ultrapassadas de quem foi formado erradamente e de quem não quer evoluir.
A primeira tendência, oriunda dos países do leste, caracterizava-se por dividir a época desportiva em períodos para atingir “picos de forma” em determinados momentos da competição, sem estabelecer qualquer ligação à forma de jogar.
A segunda tendência oriunda do Norte da Europa deu grande importância ao desenvolvimento físico. Adveio desta teoria os testes físicos e a noção de Carga de Treino tentando perceber a forma física dos jogadores.
O conceito de Treino Integrado surge com os aspectos físicos, técnicos, tácticos e psicológicos a serem desenvolvidos conjuntamente.
O Professor Monge da Silva determina esta evolução como período sincrético (onde não existe diferença entre a competição e o treino), passando pelo período analítico (onde se divide em parcelas o treino técnico, táctico, físico e psicológico) e o período sintético (que se identifica com o treino integrado). Foi este mesmo Professor que, após treinar com o treinador Lajos Barotti, modificou o seu próprio conceito de treino e assumiu o erro ao verificar que, fazendo apenas treinos conjuntos e dois jogos semanais na pré-época a equipa não decaiu de forma tal como ele, preparador físico do Benfica esperava. “Verificou-se uma situação diametralmente oposta à prevista: a equipa fez uma época extraordinária, terminou fortíssima, tendo ganho o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e sido eliminada na meia-final da Taça dos Vencedores das Taças num jogo em que esteve fisicamente muito bem.” (Silva, Bola Magazine; nº 134, Julho 1998).
Actualmente ainda estamos na era Mourinho onde tudo se faz com bola, mas não se compreende bem o verdadeiro conceito de treino do Doutor Mourinho. São estes os erros “de repetir até ao cansaço as mesmas palavras e as mesmas ideias” que alguns ex-jogadores fazem no decurso da profissão de treinador e que Manuel Sérgio aponta no seu artigo de opinião.
Enquanto alguns treinadores já estão na nova era da periodização táctica (conceito aceite mas não “aprovado”) e da superação humana, outros, ainda se importam com o físico e julgam que colocando a bola no treino já estão actualizados e são inovadores.
Ao treinar homens, assumimos o Homem como um todo, reconhecendo o “erro de Descartes,” e assumindo que a emoção é um mecanismo da razão, tal como António Damásio argumenta.
O que importa é a operacionalização da forma de jogar, através do desenvolvimento contínuo do Modelo de Jogo, sabendo antecipadamente que os jogadores são complexos elementos em interacção. Deste modo, e partindo do princípio de que a equipa é um sistema, é fundamental analisar a relação entre os seus constituintes. O jogador deve ser analisado como um todo complexo dentro de uma interacção dinâmica. A complexidade, vista muitas vezes na ciência como factor de incerteza, é defendida por Edgar Morin como a “incerteza no seio de sistemas ricamente organizados.”
A construção do Modelo de jogo pretende dinamizar a unidade, conjugando a diversidade dentro da própria unidade que são os jogadores.
É vital a qualidade individual, mas mais importante ainda é a conjugação e coordenação de todos os elementos em jogo.
É neste conceito de totalidade e complexidade, conjugando as Ciências Humanas e Naturais, que está o segredo de Mourinho, que o distingue dos outros. A conjugação de áreas reconhecendo o jogador como um todo em busca da constante superação é o novo paradigma. Daí que, Manuel Sérgio afirme que “hoje, o conhecimento é conhecimento em rede. Por isso, quem sabe só sabe de Futebol nada sabe de futebol.”
É necessário um salto qualitativo no futebol, na sua metodologia de treino, na forma de pensar e executar. É necessário evolução e não repetição. Só com ruptura existirá mudança.
Concluindo, o jogador é um todo, que actua emotivamente e que procura a sua constante superação. Admitindo isso, cabe ao treinador rentabilizar as suas mais valias inseridas num Modelo de Jogo, num processo intencional. O Modelo referência a organização da equipa e dos seus jogadores num jogar específico, que é único em cada equipa. Esta organização é construída no processo de treino face a competências que se pretende adquirir no futuro.
Na especificidade do desenvolvimento individual e da aquisição de competências por parte dos jogadores, parte-se para o fundamental que é a identificação colectiva que transforma a equipa numa unidade única.

“O treinador deverá sempre: aplicar e ao mesmo tempo pôr em causa as suas concepções teóricas e teorizar e ao mesmo tempo pôr em causa a sua práxis. Só assim haverá transformação, ou seja evolução.” (Monge da Silva)

Professor José Fernandes