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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A CONSTRUÇÃO DE UMA EQUIPA DE FUTEBOL





Nem sempre se está onde se quer.
Nem sempre se faz o que deseja.
Mas o simples facto de estar num campo de futebol, transforma por completo a minha felicidade.

José Fernandes, Agosto 2015


Em cada minuto, uma escolha,

Em cada escolha, um resultado,

Em cada resultado, uma experiência

Experimentar é viver.

No emaranhado das sensações, o

Reconhecimento do poder de criar

Nossas próprias vivências, nos limites

Das leis da vida.

Para uns é um jogo, para outros é

Carregar a espada da luta no fio do destino.



Zíbia M. Gasparetto




Iniciar uma nova etapa, num novo clube, levanta várias questões aos treinadores.
Não posso esquecer que o futebol é influenciado pelas condições do campo, pela qualidade dos intervenientes, pela planificação, pelos treinos, enfim, por vários factores. Conhecer a cultura e a realidades do Clube e adaptar, o que se pretende, ao possível, é um primeiro passo para o sucesso.
Ao iniciar esta nova etapa no G. D. R. Fontaínhas de Cascais e em resumo, o que pretendemos é:
1 - Ganhar – Criar uma equipa vencedora com base na formação, mas acima de tudo criar uma base sustentável para o futuro.
2 – Que o clube, os sócios se sintam bem representados tentando elevar o nome do Fontainhas no Concelho de Cascais.

(atitude x estabilidade) talento


Para isso, o primeiro problema que se põe a um treinador é: Que jogadores?

Naturalmente que a Ideia de Jogo do treinador é provavelmente a primeira problemática. Mas sem jogadores, a Ideia de jogo tem de ser, no mínimo modificada e/ou adaptada.
O talento dos jogadores é um fator determinante. A sua técnica individual, a sua capacidade atlética e a sua capacidade de jogar em equipa podem influenciar o resultado de cada jogo. No meu entender o talento e a personalidade são fatores determinantes na escolha de um jogador.
Atitude é o compromisso, a vontade individual dentro do coletivo de se esforçar em proveito da equipa. Um jogador com atitude é um jogador que entende a vontade individual de alcançar os objetivos e luta sempre pela superação. A atitude de um jogador é revelada nos treinos, nos momentos que antecedem os jogos e no jogo propriamente dito.
Estabilidade é a forma como aceitamos de forma equilibrada, o nosso papel na equipa. Saber que, num grupo, todos tem o seu papel e que devemos fazer tudo para que exista estabilidade no grupo. Num processo de construção, as mudanças futuras devem ser calculadas no sentido de garantir o sucesso da equipa.

  DISPENSAR JOGADORES

Nunca é um processo fácil. Avaliar a época anterior, decidir o perfil dos atletas que vão continuar na nova época e especialmente decidir quem não continua. Por outro lado observar os juniores que transitaram da época anterior e jogadores que por sua livre iniciativa solicitaram treinar no Clube. Numa semana temos de iniciar o processo de construção da equipa e finalizar o plantel.
Naturalmente que o “normal” é em maio ter as “grandes” definições tomadas. Contudo os condicionalismos nas distritais são imensos e o facto de competir na I Divisão distrital nem sempre é apelativo para os jogadores numa primeira fase. Por outro lado, entrando apenas este ano no Clube, é fundamental “aceitar” esta etapa.  
Neste sentido tivemos de determinar objetivos estratégicos para determinar a contratação de jogadores.
(continua) 




terça-feira, 11 de novembro de 2014

PRINCÍPIOS REGEDORES DA INTERACÇÃO OFENSIVA E/OU DEFENSIVA


“Basketball, unlike football with its prescribed routes, is an improvisational game, similar to jazz. If someone
drops a note, someone else must step into the vacuum and drive the beat that sustains the team.”

Phil Jackson

Quantas vezes ouvimos os treinadores a afirmarem que a sua equipa não realizou o que estava planeado, que não teve princípios?
O Futebol é uma essência táctica onde se verificam os princípios do jogo que ocorrem no decorrer da partida. Efectivamente a dimensão táctica ainda é um assunto pouco pesquisado e trabalhado tanto no campo como na observação e na análise. Uma das razões é naturalmente a complexidade envolvida.
O Modelo de Jogo afigura-se imprescindível na construção de um processo de treino, uma vez que orienta todo o processo de treino. O modelo de jogo constitui assim, o “guia” do processo, um referencial fundamental porque congrega todos os princípios e sub-princípios de um sistema complexo que é a IDEIA do jogo pretendido.

No futebol os princípios GERAIS visam o criar superioridade numérica no ataque e não permitir a inferioridade numérica na defesa. Evitar a igualdade numérica também é um principio.
Os princípios fundamentais do ataque são: penetração, cobertura ofensiva, mobilidade e espaço
Os princípios fundamentais da defesa são: contenção, cobertura defensiva, equilíbrio, concentração.
A ESPECIFICIDADE é praticamente o maior dos princípios do treino. Tudo aquilo que aparece no treino tem que ser em função daquilo que nós conjecturamos para o jogo. A IDEIA de jogo deve orientar a nossa acção.
A ESPECIFICIDADE é também treinar pedacinhos micro e macro do nosso jogo, que contenham a essência do nosso Jogo.
Não basta criar exercícios específicos para que eles aconteçam no treino. A intervenção do treinador também tem de ser específica e clara, tal como o seu modelo. A intervenção pode acontecer na explicação do exercício no sentido dos jogadores entenderem a contextualização e objectivos pretendidos bem como os comportamentos (interacções) desejados. A intervenção pode ainda acontecer em mais dois momentos. O segundo deve acontecer durante a execução do exercício, corrigindo os comportamentos desviantes e/ou incorrectos, bem como avaliando e motivando os seus atletas. O último acontece no final do exercício com o objectivo de sintetizar os aspectos positivos e negativos do realizado.

No decorrer do treinar e do jogar os princípios entram em interacção. No meu entender o que determina as diferenças entre uma equipas e outras são aquilo que designo por PRINCÍPIOS REGEDORES DA INTERACÇÃO OFENSIVA E/OU DEFENSIVA. Estes são os princípios REFERENCIAIS de comportamento que regulam os procedimentos da equipa no decorrer do jogo, dependendo naturalmente da bola, colega, espaço e adversário. A ordem destes orientadores depende naturalmente de cada treinador.


Exemplo - Passe efectuado na zona seis e/ou entre o pivot defensivo e o central, são referenciais de pressão em que a equipa tem de passar de defender a pressionar de forma colectiva.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ricardo Carvalho: “Estarei sempre disponível para vir aqui”




Naturalmente sou contra. Se fosse filho do Fernando Gomes provavelmente teriam sido criadas situações para que o Paulo Bento se demitisse. Onde é que eu já vi algo parecido (alguns amigos mais pessoais estarão agora a rir da piada).

O central reconheceu que falhou quando abandonou a Seleção em 2011. Ficou-lhe muito bem, não é fácil admitir o erro. No entanto estas desculpas surgem com três anos de atraso. No meu entender o Ricardo Carvalho faltou ao respeito ao treinador, mas especialmente aos colegas e aos Portugueses. Percebo este pedido de desculpa diplomático, no timing certo para… Fernando Santos e para a Federação.

No meu entender foi um erro estratégico de Fernando Santos. O clima na seleção será difícil de gerir, especialmente entre os centrais que não foram convocados e/ou que não vão jogar. Outra engraçada coincidência sobre outro assunto pessoal que não quero falar. Por fim a estratégia da tão esperada renovação seleção, leva um selecionador a convocar um jogador que na altura do europeu terá… 38 anos.

Segue o texto apresentado no portal sapo com excertos da entrevista dada também no jornal “A Bola.”     

O regresso de Ricardo Carvalho é um dos mais mediáticos da convocatória da Seleção. O central do Monaco deu esta terça-feira uma muito aguardada conferência de imprensa, em que falou de tudo o que aconteceu desde a sua saída, em 2011.

Destaques da conferência de imprensa:

Regresso - “Este sempre foi o meu objetivo. Tive de trabalhar bem no meu clube para voltar a ser chamado e estarei sempre disponível para vir aqui. No primeiro dia recordei-me das melhores coisas que passei aqui. Não recebi nenhum telefonema, foi por convocatória mesmo. Soube por fax que iria ser chamado. Foi uma alegria enorme”.

Arrependimento – “Toda a gente sabe que me arrependi. Aceitei o castigo. Enquanto jogar futebol vou estar sempre disponível para representar o meu país. Agradeço a toda a gente por ter sido bem recebido, à federação aos portugueses e companheiros. Cometi um erro e felizmente o meu passado também fala por mim”.

Paulo Bento – “Se calhar, se estivesse na posição dele faria a mesma coisa que ele fez. Quando saí não queria confusão com ninguém, mas não fiz as coisas da melhor maneira porque estava com a cabeça quente”.

Experiência e juventude – “É importante que os jogadores mais experientes ajudem os mais novos. Quando entrei na Seleção, a referência era o Fernando Couto e aprendi muito com ele. A verdade é que podem aparecer jogadores mais novos a um nível muito alto que venham render os mais velhos e criar condições para a renovação”.

Jogos com França e Dinamarca – “São dois jogos muito importantes. O primeiro é importante para preparar o segundo, mas será bom fazer um bom resultado para ganharmos confiança. Depois, temos um objetivo, que é a qualificação para o Euro 2016 e o melhor é irmos pensando jogo a jogo”.

Titularidade – “Vim para ajudar. Temos dois jogos importantes. Estou preparado para jogar 0 ou 180 minutos. O importante é estar presente para continuar a ajudar o meu país”.

Pepe – “Não fui correto com Pepe. Achei que tinha de ser verdadeiro com toda a gente. Podia ter acontecido com ele ou com outro jogador qualquer, mas não estive
bem”.


sábado, 20 de setembro de 2014

A EQUIPA VENCEDORA



  



 

“Para ser grande sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua que brilha, porque alta vive”
(Fernando Pessoa)


Será que existe uma fórmula para obter grandes resultados e uma verdadeira equipa vencedora?

O futebol é um jogo de erros. A organização ofensiva tenta “vencer” a organização defensiva. As Transições têm de ser rápidas para garantir a sua eficácia. E é neste jogo estratégico de luta constante que se procura a vitoria.
O talento dos jogadores estabelecerá diferenças entre as equipas. Para além disso a EQUIPA tem de demonstrar um elevado grau de compromisso perante os seus objetivos.
  
O talento dos jogadores é um fator determinante. A sua técnica individual,a sua capacidade atlética e a sua capacidade de jogar em equipa podem influenciar o resultado de cada jogo.
Atitude é o compromisso, a vontade individual dentro do coletivo de se esforçar em proveito da equipa.
Integridade é a forma como aceitamos de forma equilibrada o nosso papel na equipa. Saber que num grupo, todos tem o seu papel e que devemos fazer tudo para que exista estabilidade no grupo.

Desta forma poderia dizer que a fórmula do sucesso é a atitude vezes a integridade elevado ao talento que fazem uma equipa vencedora.

(atitude x integridade) talento

Apesar de todos aspirarmos uma equipa vencedora existem outros fatores que podem naturalmente condicional o sucesso. As lesões, os castigos, os calendários de jogo e a bola que vai ao poste e não entra.
Na base de tudo está uma EQUIPA operária que deve funcionar sempre em conjunto.
  

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

BENFICA: O peso do 33º





Atualmente os clubes desportivos são vistos como empresas. A regulação do mercado e visão económica são fatores fundamentais no dia a dia de um Clube de Futebol.
É clara a estratégia do Benfica em vender os seus ativos após um ano quase perfeito. O esforço financeiro efetuado no final do ano passado teve um peso demasiado grande na projeção deste ano.
Parece-me clara a falta de visão na projeção do ciclo seguinte.

Pontos de partida.

·        O Benfica investiu quase 50 milhões de euros em novos jogadores para a época 2013-14, segundo revela o relatório e contas da SAD “encarnada” respeitante ao exercício do período entre 1 de Julho de 2012 e 30 de Junho de 2013.
·        Gastou 25,1 milhões para a aquisição “dos direitos desportivos dos atletas Djuricic, Markovic, Sulejmani, Mitrovic, Steven Vitória e Rojas”.
·        Assumiu compromissos financeiros para a aquisição de direitos desportivos no montante global de 24,2 milhões de euros, sendo de destacar os atletas Pizzi, Fejsa, Funes Mori e Lisandro Lopez”.
·        No total, só em jogadores para a época passada, gastaram 49,3 milhões, sendo que do último exercício, constam ainda as aquisições de Lima e Salvio, que já integraram o plantel em 2012-13, “num montante global de 16,5 milhões”. No investimento do plantel, a SAD benfiquista refere ainda a compra dos restantes 15% do passe de Nemaja Matic e de 50% do passe de André Almeida (?), mais a renovação de contratos com Matic, Cardozo e Rodrigo, num gasto total de 7,8 milhões de euros.
·        No que diz respeito a vendas, o Benfica atingiu os 51,5 milhões de euros, um crescimento de 68,2% em relação à época anterior, com as vendas de Javi Garcia ao Manchester City e de Axel Witsel ao Zenit.
·        O volume de faturação da época 2013/2014 foi insuficiente e não acompanhanou o êxito desportivo do Clube.
·        Os gastos para garantir a permanência dos melhores jogadores e desta forma garantir a conquista do título, criaram desequilíbrios financeiros graves.

Partimos no final da época passada com esta previsão:

·        Sete os jogadores não têm nenhuma parte do passe alienada a fundos ou  direitos partilhados com outras entidades: Luisão, Sálvio, Enzo Perez, Jorge Rojas, Lima, Sulejmani, Mitrovic e Steven Vitória. Há ainda outros casos de jogadores cujos direitos são partilhados com outras entidades, como Ola John (50% são do Benfica, os outros são da Doyen Sports), André Almeida (75%) e Nélson Oliveira (45%).
·        Como curiosidao Benfica detinha de Garay (40% do Benfica), André Gomes (70%)  de Markovic (50%)
·        15 os jogadores têm percentagens cedidas o fundo de investimento “Benfica Stars Fund”, sendo que os últimos a entrar foram Rodrigo (24% por 3,6 milhões – já vendido), André Gomes (20% por 800 mil – já vendido) e Djuricic (20% por dois milhões). No total, o Benfica já recebeu deste fundo 28,625 milhões de euros. Os direitos económicos de Sulejmani entretanto passaram a integrar o fundo a troco de 1,25 milhões de euros.
·        Os gastos com pessoal atingiram os 50,4 milhões, uma subida de 4,8% em relação ao anterior exercício, justificando esta subida com o “aumento verificado na massa salarial do plantel de futebol”.
·        A Benfica TV implicou um aumento generalizado dos rendimentos e gastos consolidados.

Parece-me claro que neste momento o Benfica está à beira de uma situação insustentável, com um rumo pouco claro, objetivo e/ou estratégico. Vive-se o dia a dia e não se projetou em 2013/2014 o ciclo seguinte.

Ponto de situação

·        A situação do Clube está debilitada.
·        A equipa, produto de venda, está pouco atrativa.
·        A equipa, produto desportivo, não oferece grandes garantidas de sucesso.

É urgente criar um programa estratégico prudente de evolução que vise um corte com os gastos e que vise a estabilidade financeira.
Contudo é mais urgente ainda criar uma revolução, que corte com os gastos supérfluos e que invista de imediato na equipa.

O Benfica não é o seu treinador e/ou um jogador. Tem de ser uma equipa dirigida para um objetivo comum. Uma organização em conjunto, conduzida por um Líder, no interior do contexto atual, rumo a um objetivo final.

Qual é o teu objetivo para os próximos anos, Benfica?